Escola pública no Alto da Lapa adota currículo antirracista

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Os alunos da EMEI Dona Leopoldina, escola municipal voltada à educação infantil localizada no Alto da Lapa, passaram a participar, de forma mais estruturada, de atividades curriculares voltadas ao combate de estereótipos, preconceitos e do racismo, que buscam trabalhar a identidade e a diversidade.

O pilar desse trabalho, de acordo com a diretora Cláudia Maria, é o novo projeto pedagógico intitulado “Terreiro de Infâncias Cultivando um currículo afro-brasileiro na educação infantil”. “O novo projeto político-pedagógico busca valorizar os diversos aspectos da cultura afro-brasileira, abrangendo não apenas as ações nas salas de referência, mas toda a organização dos espaços e das relações na escola”, explica Cláudia. “O nome Terreiro de Infâncias propõe um sentido de comunidade e pertencimento. Não se trata de uma referência religiosa, mas de um conceito ligado à cooperação, à ancestralidade, à resistência e à valorização cultural”, ressalta.

Com a mudança, iniciada em 2024, espaços físicos da escola também passaram a refletir essa perspectiva. A horta pedagógica, que conta com composteira e cisterna, foi batizada de Jardim de Ossaim, em alusão aos conceitos de ancestralidade e tempo presente nas tradições de matriz africana. De acordo com a mitologia Iorubá é o detentor do segredo das ervas e da cura.

O espaço dialoga também com o trabalho das Mães Guardiãs da Alimentação Escolar, responsáveis por promover práticas de alimentação saudável e educação ambiental junto às turmas.

Um dos parques da unidade recebeu o nome de Parque Dandara, em referência a Dandara dos Palmares, símbolo da resistência negra no Quilombo dos Palmares durante o período colonial. Ao nomear seus espaços, a escola transforma o cotidiano em instrumento pedagógico. “Nós aproximamos as crianças de referências históricas e culturais essenciais para o reconhecimento de uma identidade”, destaca a diretora.

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